"Ano Novo, vida nova!"
Há quantos anos a gente ouve essa mesma frase, dita com mais ou menos ênfase? Jovens, velhos, homens, mulheres, personalidades públicas ou ilustres desconhecidos: todos, sem exceção, trazem um brilho de esperança no olhar e um "assim seja" impresso na voz toldada de emoção ao evocar as palavras quase mântricas. Meu pai costuma dizer que, se o ano não puder ser melhor, que seja pelo menos igual ao que acabou, "porque já sabemos como vai ser".
É claro que todo mundo deseja um ano maravilhoso, com mais dinheiro, saúde, prosperidade, metas atingidas e muitos sonhos por realizar. Ter uma vida plena, sem (muitas) preocupações e cheinha de oportunidades é o desejo da maioria dos meros mortais desse nosso planeta, inclusive eu, mas aí entra em cena o tal Destino.
Destino, fatalidade, carma, desígnios celestes, vontade de Deus, aquilo que está escrito. Qualquer que seja o nome atribuído, parece algo completamente fora de nossa alçada e sobre o qual não temos a menor possibilidade de controle. Mas... será mesmo?
Se eu estivesse num ônibus, por exemplo, e a imprudência do motorista causasse um acidente, não seria minha culpa (a não ser que eu fosse conversando com ele, distraindo-o e provocando o desastre - felizmente, não corro esse risco, porque ninguém puxa papo com "dragão"...); por outro lado, se eu estivesse dirigindo um carro, poderia ou não ser a responsável pelo ocorrido.
As religiões e filosofias de vida têm visões bem diversificadas acerca do dito Destino. Enquanto algumas creem que já está tudo devidamente marcadinho no livro de Deus e que não há nada a ser feito (dizem que ninguém muda a Sua escrita. Afinal, Ele não precisa de conselhos sobre como dirigir a própria obra, né?, especialmente conselhos do bicho Homem, tão inferior e imperfeito diante do Criador), outras pregam que nós somos os responsáveis por tudo o que nos acontece (até mesmo por uma simples topadinha num paralelepípedo. Também, quem mandou você caminhar enquanto teclava no celular pra curtir as postagens do Face, criatura? Quer arrancar a joanete de graça, é?). Ou seja, ou somos isentos de toda culpa e nossa vida é entregue a outras mãos, ou somos os irresponsáveis causadores das mazelas humanas, tanto pessoais quanto universais.
Também há, claro, quem fique no meio termo, atribuindo-nos parte da responsabilidade e creditando ao Destino aquelas ocorrências imprevistas.
Quanto a mim, acho, sim, que existe muita coisa já determinada, mas não creio que seja inalterável. Todos nós cometemos erros e deslizes, porém sempre se pode tentar fazer algo a respeito. Se assim não fosse, como iríamos evoluir? Se Deus nos criasse com um roteiro pré-definido, de que valeria nos empenharmos tanto para vencer um vício, por exemplo? Nós iríamos vencê-lo ou não, de acordo com o que estivesse estipulado, e ponto final. Não teríamos mérito algum por nossas "conquistas" nem poderíamos ser culpados por nossos "erros", e tanto aquelas quanto estes não seriam nossos.
Iremos todos responder por nossos atos, mais hoje, mais amanhã. Seja porque nos esforçarmos demais, lutando pra mudar, ou simplesmente porque deixamos correr solto, estacionando no tempo e no espaço. Como diz meu pai, "o que nos cabe, nos pertence".
O Destino é a gente que faz. Seja no Ontem, preparando os eventos dessa vida; seja no Agora, vivenciando o dia a dia ou lançando as bases da existência futura.
Cada um de nós, galga a montanha ou cava o próprio buraco. Cada um de nós e mais ninguém.
Pense nisso.
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