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domingo, 10 de fevereiro de 2013

E, de novo, o Carnaval.

De novo, as Folias de Momo: fantasias, micaretas, abadás e trios elétricos, camisinhas, AIDS, Ângela Bismarchi na sua "cruzada" pela virgindade (agora, lançando o "hímen artificial", para que os homens possam desfrutar da gloriosa sensação de "arrebentar" suas parceiras, mesmo que já tenham muita "milhagem") e... mulheres peladas. Ano após ano, as mulheres se sujeitam à degradação, à exposição desenfreada, ao "excesso da falta", onde vale mais quem aparece com cada vez menos... E pensar que o Carnaval, inicialmente, era uma festa de família, com  pessoas elegantemente trajadas desfilando em carros abertos pelas ruas ao som de músicas alegres. Em que momento exatamente saímos do "vou beijar-te agora/ não me leve a mal/hoje é Carnaval" para o "beijo na boca é coisa do passado/a moda agora é namorar pelado" eu não sei, mas que a coisa vai mal, vai, e faz tempo. Uma escola aqui de São Paulo tem um "Rei" de bateria, mas pergunta se o cidadão aparece nu, com as partes pudendas  minimamente resguardadas por um mero pedacinho de metal e a bunda de fora? Num mundo onde  ainda, infelizmente, há tantas situações  vexatórias para as mulheres, onde muitas valem menos que um camelo e os maridos têm total direito sobre suas vidas, podendo devolver as que não conseguem engravidar ou matar as pobres infelizes até por uma simples suspeita de adultério, é espantoso que as chamadas "mulheres livres" se prestem a papéis como estes, desfilando nuas apenas apenas porque alguém determinou que isso é carnaval. Onde ficam a lógica, o respeito e o amor próprio? Onde fica o orgulho de ser mulher e, sobretudo, de ser gente? Para ser linda e arrasar, seja na vida ou na passarela do samba, a mulher não precisa se rebaixar; Luíza Brunet desfilou lindamente trajada por anos e ela dispensa comentários, estando cada vez mais "top" a cada Carnaval, com charme e elegância ímpares. Se a intenção é mostrar as fantasias, por que vir sem elas? Depois, as mulheres reclamam quando são assediadas; quando são desvalorizadas,  ganhando menos que os homens mesmo em funções iguais; quando são tratadas como objetos (coisa ultrapassada? Não mesmo! Se assim fosse, não veríamos a infame propaganda de desodorante, onde o sujeito vive cercado de mulheres semi-nuas inúteis só porque está cheirosinho!); quando se fazem piadas de loira (eu nunca ouvi nenhuma de "loiro")... Já passou da hora de se reverem esses conceitos, da mulata Globeleza vir vestida nas vinhetas, do Carnaval ser desvinculado do sexo, das pessoas festejarem mais e extrapolarem (bem) menos. O que seria se alguém determinasse que o Revéillon é também momento de "soltar os bichos"? Imagine as pessoas transando na praia em lugar de pularem as sete ondinhas... Brincar é bom, festejar também e eu não tenho nada contra o sexo ou um belo corpo, mas bom senso cabe (e muito bem) em qualquer lugar e/ou momento.
                                                                                                        Pense nisso.
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