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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Aprendendo

De todas as façanhas mais incríveis que um ser humano pode lançar mão, certamente a aceitação é a mais rara e difícil. Eu disse façanha quando deveria dizer atitude, mas aceitar um semelhante é, sim, um fato assombroso, e seria o maior ato de amor que qualquer um poderia praticar se apenas se dispusesse a isso.
Você simplesmente não consegue aceitá-lo (será que ao menos tenta?) porque é feio, gordo, burro; porque não entende a sua língua, não está no Facebook nem frequenta os lugares da moda; porque não se liga nas coisas que te agradam, não assiste a novela nem torce para o seu time (aliás, como é que o infeliz ousa dizer que não gosta de futebol, a paixão nacional - depois da bunda, claro! - que une os povos e remove montanhas? Até os pilares do preconceito e do machismo caem por terra em tempos de Copa do Mundo, quando a visão de dois homens abraçados, chorando e rolando no chão não agride a ninguém - mas, se eles fizerem o mesmo num dia comum...). Em resumo, você não o aceita apenas e tão somente porque ele faz uso do maior bem que todos nós possuímos: a sua individualidade!
Cada pessoa é única, original e inimitável, criada por Deus justamente para ser diferente. Não somos peças produzidas em série, cuspidas às dúzias por uma máquina qualquer. O legal está na diferença, na diversidade, que nos capacita de maneiras variadas para fins igualmente. Afinal, que graça teria se toda a humanidade tivesse a mesma aparência, gostasse das mesmas coisas e almejasse os mesmos objetivos? Acredite, não teríamos chegado a lugar algum, pois ninguém sonharia ou imaginaria nada diferente dos demais. Seríamos uma raça estagnada a caminho da extinção.
Você é jovem e não consegue aturar os mais velhos? É velho e não consegue entender os meninos abilolados? Está na meia idade e não se encaixa em nenhuma turma (como diz a Sandy, "é jovem pra ser velho e velho pra ser jovem"? Bem vindo ao clube! Pegue sua carteirinha na saída.)? Vai por mim: faz parte de ser humano e não há nada de errado nisso.
Além de Libras e Braille, que já passaram da hora de ser ensinadas ao povo para a verdadeira inclusão das ditas "pessoas especiais" (mais uma demagogia podre para denominar os deficientes - eu posso falar "de cadeira" a barra que a gente enfrenta, com ou sem denominação fofa, porque fui deficiente visual por vinte anos, e garanto que não há nada de especial nisso),  deveria ser matéria obrigatória nas escolas exercitar a aceitação, a tolerância e o respeito, aprendendo que o outro tem todo o direito de gostar de outras coisas, de seguir ou não os modismos passageiros, de ser como todo mundo ou completamente diferente. Não somos um cardume fadado a um destino comum e, ainda que a maioria possa seguir na mesma direção, alguns dentre nós terão jornadas brilhantes, destacando-se apesar de serem considerados exóticos, excêntricos, esquisitos ou desajustados.
Constatar que a Terra não gira em torno do seu umbigo e que ninguém nasceu para seguir seus ditames, por mais certos, bonitos e perfeitos possam ser - na opinião de quem mesmo? - faria do nosso planeta um lugar muito mais aprazível, certamente com  menos gente frustrada e, quem sabe, nos ajudaria a galgar mais de um degrau rumo à evolução.
                                                                                                                      

                                                                                                           Pense nisso.
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