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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Essencial

                                                                                                                  
Outro dia estava eu, bela e folgada, na sala de espera de um AME, aguardando minha vez para ir ao guichê, quando uma senhora sentou-se ao meu lado e disparou: “ – Você tem celular?” Surpresa e, confesso, desconfortável com tal pergunta (afinal, com tantos golpes e crimes que se vê por aí em nossos dias, é o tipo de questionamento capaz de, no mínimo, pôr não uma pulga, mas um ornitorrinco atrás de cada orelha! E se ela quisesse fazer uma chamadinha básica pra Tailândia? Ou pior, se estivesse a fim de gastar os mil minutos pra “estreitar a relação”?), respondi que não e ela retorquiu: “ – Que pena. Eu precisava saber as horas.” Mais tranquila, puxei a manga do moletom, mostrando o relógio de pulso: “ – Por isso não. As horas eu posso lhe dizer.”
Houve um tempo em que a pergunta correta seria “ - Você tem horas?” e não celular. Afinal, era disso que se tratava. Ela não queria saber se eu possuo um aparelho bonitinho, cheio de adesivos fofinhos, ou um smartphone último tipo, com acesso às famigeradas redes sociais, GPS, Bluetooth... Aquela senhora apenas e tão somente desejava saber as horas.
Então, quando foi que o relógio, esse meu companheiro inseparável, outrora item de suma importância, perdeu seu lugar de destaque para o celular? A pergunta, com efeito, tinha razão de ser. Basta uma rápida olhada em qualquer lugar para se constatar o óbvio: as pessoas andam com seus celulares sempre a e na mão, pouco importando o quanto o ônibus está lotado ou se uma bolsa tipo gigante – daquelas que, mesmo não sendo um elefante, incomodam muita gente – acompanha os demais acessórios do visual. Mais que um artigo-vitrine, exposto aos olhos e cobiça alheios e capaz de matar de inveja muitas patricinhas e mauricinhos menos abonados, o celular, esse aparelhinho tão útil e misterioso com seus meandros de computador em miniatura tornou-se, efetivamente, indispensável na nossa aldeia globalizada, onde cada vez mais pessoas encontram menos orelhões (depredados, pichados, painéis de anúncios para massagens eróticas e afins ou simplesmente mudos, foi-se o tempo em que podíamos contar com um deles em momentos de aperto ou mesmo de puro love – afinal, quem nunca usou um estoque das antigas fichas para azarar uma gatinha? O povo na fila, esperando, e o sujeito ali, só no xaveco, tentando descolar uma saidinha com a mina. Amorzinho daqui, bebê dali, contando até três para os dois desligarem juntos... Ah, o amor, sempre tão incompreendido!). De crianças aos senhores de mais idade, quase todo mundo anda com o seu brinquedinho por aí. Eu disse quase porque ainda existem aqueles que são contra a tecnologia, por serem “das antigas” e não terem muita vontade – e paciência, capacidade, raciocínio, aptidão? – de aprender coisas novas ou simplesmente por julgarem que é desnecessário.
Mas, mesmo para definir o que é essencial, as tribos continuam se dividindo: se para uns o celular é indispensável, para outros é o próprio computador, ou a internet, ou as redes sociais (tem gente que alega não poder se desconectar nem para ir ao banheiro. Vai que, naqueles cinco minutinhos preciosos, alguma coisa de relevância extrema ocorre, como o fim do namoro da sua arquirrival favorita ou a estreia do novo clipe do Justin Bieber – e justo você, sempre tão antenada, foi a segunda a saber??? Como diria a doutora Lorca, “- Isso não pode!”). Amigos já não marcam encontros para um cineminha, um papo furado ou um joguinho de tranca.  A onda agora é postar fotos no Instagram ou interagir no Facebook, essa Hidra multicéfala devoradora de segredos e identidades alheias, onde todo mundo adiciona todo mundo, sem sequer perguntar quem, como ou quando, e apesar de todos os riscos fartamente divulgados semanalmente pelos jornais.  Dia chegará em que os nossos relacionamentos  serão como no filme “O Demolidor” (“Demolition Man” – 1993),  onde a Sandra Bullock põe um aparelho qualquer na cabeça do Silvester Stallone para transar com ele – segundo o filme, sal, chocolate carne e contatos corporais em geral (incluindo beijos e apertos de mão, além do sexo, claro) faziam mal aos humanos, por isso foram banidos da sociedade perfeita, mas nos esgotos rolava tudo isso e muito mais (afinal, onde houver a ordem perfeitamente estabelecida haverá também o caos para equilibrar as coisas. Não existe moeda de um lado só.).
Essencial, como certo e errado, é questão de ponto de vista. Para os chineses, é o ar que mal se respira, carregado de poluentes e fumaça; para muitos africanos, é a comida que falta na mesa enquanto tantos outros países, incluindo o nosso bom e velho Brasil, desperdiçam alimentos que dariam para encher muitas barrigas. Nossas prioridades definem aquilo que buscaremos com mais empenho. Sempre.

                                                                                                               Pense nisso.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Mensagem de Otimismo

"O que mais nos incomoda é ver os nossos sonhos frustrados. Mas permanecer no desânimo não ajuda em nada para a concretização desses sonhos.  Se ficarmos assim, nem vamos em busca dos nossos sonhos, nem recuperamos o bom humor! 
Este estado de confusão, propício ao crescimento da ira, é muito perigoso. Temos de nos esforçar e não permitir que a nossa serenidade seja perturbada.
Quer estejamos vivenciando um grande sofrimento, ou já o tenhamos experimentado, não há razão para alimentarmos o sentimento de infelicidade."

Sua Santidade, o Dalai-Lama  - "O Caminho da Tranqüilidade"

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Perdas

Perda da dignidade, da hegemonia, do afeto, da posição social ou de destaque... Quantas e quais são as piores perdas para um ser humano? E para uma nação? E para um planeta? Até que ponto vale sacrificar alguma coisa para não se perder outra?
Recentemente, o jogador  Emerson Sheik do Corinthians perdeu pontos com a torcida ao postar a polêmica foto do seu "selinho" em um amigo (há quem diga, inclusive, que ele perdeu rendimento em campo depois do episódio); da mesma forma, Dilma Roussef teve queda de popularidade com medidas como a contratação de médicos estrangeiros para atender ao SUS em regiões carentes dessa mão de obra (para mim, uma medida muito salutar e bem-vinda. Afinal, se os nossos médicos só querem trabalhar nos grandes centros urbanos, por que não permitir que os colegas "de fora" atuem na periferia e em outras áreas mais afastadas e, diga-se, super necessitadas de profissionais do gênero? Bairrismo besta, pra não dizer pobre - aliás, paupérrimo!).
Como caracterizar o que é, de fato, uma perda? É aquilo que mais dói no bolso? Na alma? Na consciência? No orgulho? Ou no coração? Como entender os efeitos - por vezes, altamente nocivos - que uma perda de qualquer espécie acarreta? Teria sido algum tipo de perda o motivo para os assassinatos na Brasilândia? Talvez, até a perda da inocência?
Num mundo tão competitivo como este em que (sobre) vivemos, perder pode ser encarado não apenas como uma prova cabal de incompetência, mas também como um tipo de fardo muito pesado e incômodo, que o incauto perdedor terá que arrastar pela vida afora.
Aos perdedores inveterados, um alento: não desistam de tentar reverter essa situação, pois nunca se sabe quando a balança penderá a nosso favor.
Aos ganhadores contumazes, um conselho: fiquem atentos, porque a sorte sempre vira. O que se ganha hoje, pode ser perdido amanhã.
Hoje, 26/08, eu também sofri uma perda. Enorme, sentida, dolorosa, para nós e para ela. Minha querida Bina, o meu "môzi", meu bebê, minha hermosa nos deixou, depois de uma longa noite de agonia e sofrimento.
Apesar das diversas convulsões que minaram sua resistência a cada minuto de uma madrugada que parecia não ter mais fim, Bina se mantinha apegada à vida, com olhos vivos e brilhantes, talvez num derradeiro esforço para não perder, ela também, o que considerava importante. Infelizmente, essa batalha ela perdeu, recebendo o alívio final às 09 e pouco desta manhã pelas mãos do dr. Alex (obrigada, doutor!).
Depois de 15 anos, nossa parceria terminou, com muita dor e lágrimas para todos (Bina inclusive, que chorou nos meus braços). Saber que o sofrimento dela acabou não ajuda a diminuir o meu (não consegui parar de chorar ao longo de todo o dia, mesmo agora, enquanto faço esse registro); só o Tempo, com sua clemência, poderá trazer-me tal alívio, mas será uma cicatriz perene que nenhum Cicatricure do mundo poderá apagar. Uma ferida fadada a se transformar em saudade.
Hoje, sua ausência faz meu coração sangrar, mas eu sei que no Céu está rolando uma festa porque um dos anjos de Deus acabou de voltar...

                                                                                                             Pense nisso.



                     Vá com Deus, meu amor... Te amarei muito além do "para sempre".

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Aprendendo

De todas as façanhas mais incríveis que um ser humano pode lançar mão, certamente a aceitação é a mais rara e difícil. Eu disse façanha quando deveria dizer atitude, mas aceitar um semelhante é, sim, um fato assombroso, e seria o maior ato de amor que qualquer um poderia praticar se apenas se dispusesse a isso.
Você simplesmente não consegue aceitá-lo (será que ao menos tenta?) porque é feio, gordo, burro; porque não entende a sua língua, não está no Facebook nem frequenta os lugares da moda; porque não se liga nas coisas que te agradam, não assiste a novela nem torce para o seu time (aliás, como é que o infeliz ousa dizer que não gosta de futebol, a paixão nacional - depois da bunda, claro! - que une os povos e remove montanhas? Até os pilares do preconceito e do machismo caem por terra em tempos de Copa do Mundo, quando a visão de dois homens abraçados, chorando e rolando no chão não agride a ninguém - mas, se eles fizerem o mesmo num dia comum...). Em resumo, você não o aceita apenas e tão somente porque ele faz uso do maior bem que todos nós possuímos: a sua individualidade!
Cada pessoa é única, original e inimitável, criada por Deus justamente para ser diferente. Não somos peças produzidas em série, cuspidas às dúzias por uma máquina qualquer. O legal está na diferença, na diversidade, que nos capacita de maneiras variadas para fins igualmente. Afinal, que graça teria se toda a humanidade tivesse a mesma aparência, gostasse das mesmas coisas e almejasse os mesmos objetivos? Acredite, não teríamos chegado a lugar algum, pois ninguém sonharia ou imaginaria nada diferente dos demais. Seríamos uma raça estagnada a caminho da extinção.
Você é jovem e não consegue aturar os mais velhos? É velho e não consegue entender os meninos abilolados? Está na meia idade e não se encaixa em nenhuma turma (como diz a Sandy, "é jovem pra ser velho e velho pra ser jovem"? Bem vindo ao clube! Pegue sua carteirinha na saída.)? Vai por mim: faz parte de ser humano e não há nada de errado nisso.
Além de Libras e Braille, que já passaram da hora de ser ensinadas ao povo para a verdadeira inclusão das ditas "pessoas especiais" (mais uma demagogia podre para denominar os deficientes - eu posso falar "de cadeira" a barra que a gente enfrenta, com ou sem denominação fofa, porque fui deficiente visual por vinte anos, e garanto que não há nada de especial nisso),  deveria ser matéria obrigatória nas escolas exercitar a aceitação, a tolerância e o respeito, aprendendo que o outro tem todo o direito de gostar de outras coisas, de seguir ou não os modismos passageiros, de ser como todo mundo ou completamente diferente. Não somos um cardume fadado a um destino comum e, ainda que a maioria possa seguir na mesma direção, alguns dentre nós terão jornadas brilhantes, destacando-se apesar de serem considerados exóticos, excêntricos, esquisitos ou desajustados.
Constatar que a Terra não gira em torno do seu umbigo e que ninguém nasceu para seguir seus ditames, por mais certos, bonitos e perfeitos possam ser - na opinião de quem mesmo? - faria do nosso planeta um lugar muito mais aprazível, certamente com  menos gente frustrada e, quem sabe, nos ajudaria a galgar mais de um degrau rumo à evolução.
                                                                                                                      

                                                                                                           Pense nisso.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Boas Notícias

Na última sexta-feira, 05 de Julho, o Jornal da Record trouxe duas notícias relevantes:

A primeira foi um alívio para mim. Finalmente, alguém teve a decência de pôr a mão na consciência em favor dos cães, proibindo a terrível e totalmente desnecessária mutilação de suas orelhas e rabos. A quem diga que tal barbárie é benéfica para eles, prevenindo doenças e evitando danos maiores no futuro (um criador chegou ao cúmulo de dizer que o corte das orelhas evita problemas nos ouvidos!!! Êta cartilagem poderosa, hein?), sem falar, é claro, na questão estética, exigência fundamental nos dias de hoje até para os "seres irracionais" (irracionais uma ova! Garanto que nenhum animal tem o comportamento desprezível, detestável e "desumano" que os ditos seres superiores da criação demonstram). Os pobres são obrigados a andar por aí com roupas de grife, jóias, unhas e pêlos pintados (espero que essa seja a próxima proibição, junto com a hedionda operação das amigdalas, usada para que os coitados não se manifestem. Tingir um animal, na minha opinião, é a terceira maior crueldade que se pode cometer contra esses seres indefesos, que sempre nos cumulam de amor e carinho, mesmo aos infelizes que os maltratam dessa maneira) apenas porque seus donos acham que eles gostam, precisam e desejam isso. Eu tenho uma cadelinha, meu amor de 15 anos, e ela é muito feliz sem essas frescuras medíocres de gente que certamente não tem nada melhor para fazer e tem, sim, muito dinheiro para gastar (se tá sobrando e eles não sabem o que fazer, mandem um pouco para cá que eu dou um jeito. Pode me chamar de Andrômeda, que eu parto para o sacrifício!).
Para esses mentecaptos que defendem tal crueldade com esse tipo de argumentação, só tenho uma coisa a dizer: Parem de Querer Corrigir A Obra de Deus! Ele é o Ser Supremo, perfeito e não comete erros. Se Ele achasse que os animais ficariam melhor sem rabo e com as orelhas cortadas, teria providenciado! A empáfia humana é tão grande, seu ego é tão inchado, sua visão de mundo é tão tacanha, que os infelizes acham realmente que sabem mais do que Aquele que os criou! Quanta prepotência!!! Eu sei que "a ignorância é uma bênção", mas não vamos exagerar, né?
Se as crianças humanas nascessem com rabo e orelhas compridas, quantas mães levariam seus rebentos de poucos dias ao médico para a tal "cirurgia estética"? Tá, eu sei que há muitas desvairadas por esse mundo afora preocupadas com os "ins" e "outs" da moda, que não só fariam isso como várias outras coisinhas a fim de garantir o lugar do pimpolho na sociedade que importa, mas as verdadeiras mães, cujo bem-estar dos filhos sobrepõe-se a tudo o mais, jamais concordariam com semelhante atrocidade: melhor um filho feliz abanando o rabo que um mutilado frustrado.
O que os animais em geral querem é respeito e dignidade. Eles não precisam de badulaques humanos para viver mais e/ou melhor. Não precisam de festas badaladas, roupas para diversas ocasiões (uma camisetinha básica nos dias mais frios é suficiente), títulos, nomes pomposos. O que eles realmente precisam é de cuidado e carinho. No caso dos cães, um cantinho confortável para dormir, comida (gente, não precisa ser patê importado, queijo Brie, champagne Don Perrignon: uma boa ração ou até uma comidinha caseira - especial para eles, claro - é muito bem vinda), cuidados com a saúde e, sobretudo, atenção. Os cães gostam de brincar, de latir, de correr e pular, então, se você quer de fato fazer um deles feliz, seja seu amigo.  Faça dele um companheiro, o seu companheiro. Garanto que é o melhor que se pode fazer por essas fofuras, esses anjos de quatro patas que Deus, em Sua infinita bondade, enviou para cuidar de nós. Saibamos retribuir.

A segunda notícia é interessante: a sonda Voyager 1, lançada pela NASA em 05 de Setembro de 1977 para pesquisar o sistema solar e o que houver depois dele (se houver, já que muitos dos nossos "irmãos planetários" julgam que a vida só existe aqui e, tudo o que se vê sobre o espaço na TV é filme de Hollywood, incluindo a viagem à Lua) está em vias de deixar o nosso sistema, descobrindo efetivamente o que existe além da "fronteira final".
Com uma bateria de plutônio que deve durar até 2025, a sonda terá muita coisa a relatar caso não sofra nenhum dano, o que não somente é muito instigante como também promissor, mas aí cabem algumas perguntas: será que os dados colhidos por ela ainda terão serventia quando conseguirem chegar até nós? Com a crescente evolução da tecnologia e da ciência, será que não servirão apenas como comprovação de seu funcionamento? E se os cientistas esperam encontrar vida lá fora, como poderemos saber com certeza que esta foi localizada? Será que os ETs têm continha no Facebook?
Essa notícia me remete ao filme de 1979, "Jornada nas Estrelas - O Filme" (ótimo, por sinal, mesmo sem os efeitos mirabolantes dos dias atuais), onde a equipe da Enterprise se depara com um visitante alienígena que vem à Terra em busca de seu Criador. Para a surpresa de Kirk e companhia, o tal ser nada mais é que a supostamente perdida sonda Voyager 6, encontrada e reparada por uma raça de máquinas vivas. Devidamente "turbinada", inteligente e auto-suficiente (ela adquiriu tanto conhecimento que desenvolveu consciência própria), a agora denominada V'ger, cumprindo sua programação de coletar e transmitir dados, retorna ao nosso bom e velho planetinha a fim de receber um novo código para o prosseguimento de suas pesquisas (só o verdadeiro Criador poderá lhe dar o código certo),  ameaçando destruir os incautos que se interpuserem em seu caminho (o lance mais legal da trama é a interação homem-máquina, que não só possibilita a V'ger comunicar-se através de uma andróide - cópia da navegadora Ilia, cuja raça agora me foge - como também promove uma fusão entre ela e um humano - seu amor de longa data, Decker, atual capitão da Enterprise, que se apresenta como sendo o Criador e insere a sequência final correta, o que não apenas encerra a ameaça como também cria uma nova forma de vida através de Ilia/V'ger e seu amado, transportando-os para uma outra dimensão). Se bateu a curiosidade, procure na rede e assista. Vale a pena.
Talvez eu já não esteja por aqui quando essa sonda fizer sua última transmissão; talvez, eu não descubra, como Mulder e Scully,  que "a verdade está lá fora"; talvez, eu nunca tenha o prazer de saber que a vida extraterrestre é uma realidade nem possa ver um OVNI ao vivo e a cores, mas nada disso tem importância. O que conta, no fim de tudo, é que o homem desviou os olhos do próprio umbigo e está olhando para algo mais além de si mesmo e do mundo que o cerca. Certamente, esse é um grande passo rumo à evolução.



                                                                                                                 Pense nisso.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Que País é Esse?"

Em tempos de Ano Novo Pessoal, uma nova roupagem para o blog.
E, falando em novidades, o que anda acontecendo com o nosso bom e velho Brasil, que já teve "z" na sua grafia nativa e perdeu  muito mais do que isso nos últimos 500 anos de sua sofrida existência, junto com o pau-brasil, a Mata Atlântica, a primazia no futebol...?
De repente, as pessoas resolveram tomar  ruas e praças, viadutos e rodovias manifestando sua indignação e exigindo tudo aquilo que consideram justo e devido a cada um. O direito de ir e vir, de cuidar da saúde, de ter sua moradia digna, de rejeitar o "tratamento que torna normais os desajustados" tornaram-se palavras de ordem, gritos de guerra de um povo que em grande parte descende, sim, de tribos guerreiras e que está simplesmente farto de "engolir sapos" por tantos séculos. A verdade, doa a quem doer, é que ninguém aguenta mais assistir de camarote a pantomima do poder, onde muda o elenco mas o enredo é sempre igual. 
É certo que existem (muitos!) excessos nas manifestações, de parte a parte. Se a população  perde as estribeiras, a polícia responde à altura, óbvio (afinal, eles são de carne e osso como qualquer dos manifestantes: choram, gritam, sangram e sentem dor, portanto que ninguém espere vê-los levar pedradas com um sorriso resignado  nos lábios - nem eles ganham para tal! -. Isso é para o Superman, o Batman, o Wolverine...). Nós sabemos que no meio do movimento legítimo, infelizmente, há muita gente de má fé infiltrada, gente que só quer badernar, roubar e desacreditar aqueles que estão tentando lutar por causas nobres. Agradando ou não, a polícia está apenas realizando o seu trabalho e, mais que isso, cumprindo com o seu dever. Não pode ser crucificada por tentar manter a lei e salvaguardar a própria integridade. Talvez fosse tempo das pessoas acharem outros meios de se manifestar, ficando um pouco em casa para que os criminosos não tenham mais como se acobertar, inclusive porque tanta coisa errada não vai mudar em poucos dias ou meses e, creio, ninguém planeja fazer de tais passeatas uma rotina in aeternum.
Mudando o foco, eu gostaria de saber em qual cabeça de bagre podre e retroativa terá se originado a galopante babaquice denominada "cura gay"! Desde quando homossexualidade é crime ou doença? Os pais deveriam querer a felicidade de seus filhos, a sua realização pessoal enquanto homens e mulheres, pouco importando a opção sexual de cada um. Eu já vi mais de um casal gay na maior curtição e não me ofendi nem me escandalizei um tiquinho que seja - aliás, no metrô, o clima era de "love" total, com direito a um beijo tão apaixonado que até eu queria... O mundo já tem neuróticos em profusão: precisamos urgentemente - de preferência pra ontem! - de pessoas felizes, alegres e de bem com a vida! 
Hetero, gay, lésbica, bi, trans, total flex, simpatizante, careta, conservador, radical, reacionário são todos termos criados para enaltecer ou aviltar as criaturas apenas e tão somente porque nós somos todos diferentes, graças a Deus! Sem exceções, clones ou réplicas (nem os gêmeos são idênticos, afinal, porque as digitais são exclusivas em cada ser), somos únicos e inimitáveis, pouco ou nada importando o estilo (ou a falta dele). Perfeição e previsibilidade em excesso são chatas, enfadonhas e completamente desnecessárias.
 Alguém disse, com muita propriedade, que "toda unanimidade é burra". Então por que será que as pessoas temem tanto as diferenças? Por que se sentem tão agredidas com a felicidade alheia? O que incomoda realmente: ver dois homens se amando ou ver dois homens felizes, aproveitando a vida antes que ela acabe? O amor é feio, né ?, não gera notícia.  O crime e a violência, infelizmente, dão muito mais ibope.
E a liberdade de expressão, a democracia, os direitos iguais, o "viva e deixe viver"? Foram pro lixo, pro éter ou estão nas leis e nas bocas apenas "para inglês ver"? Se for isso mesmo e as palavras não valem o papel onde estão escritas, então é melhor seguir o conselho do Raul Seixas e alugar o Brasil, ou melhor, a Terra. Imagine você, que acompanha essas "mal traçadas linhas" (masoquista, hein? Que crime hediondo você julga ter cometido para se impôr tamanho castigo, criatura de Deus???), como seriam quase 9 bilhões de criaturas fazendo as malas e tentando achar outro lugar pra continuar levando a  parca existência. Quantos "nãos" haveríamos de ouvir pelo Espaço afora...
Há anos,  Renato Russo já perguntava "que País é esse?". Em pleno século 21, ainda aguardamos a resposta. (Já que você leu até aqui)

#homofobiaNÃO                                                                                                         Pense nisso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sempre a Mesmice

Mais um fim de novela e a rotina continua: milhares de casamentos, casais improváveis que nem se esbarravam durante a trama, o "politicamente correto" empurrado goela abaixo e o eterno "happy end" insosso, gasto e surrado (cada vez mais, sem dó nem piedade!).  Se a primeira (a) versão de Guerra dos Sexos foi lastimável, a atual foi simplesmente deprimente. Tony Ramos (que eu considero um grande e excelente ator, digno de papéis marcantes, que vai do vendedor de frutas da barraca do Juca ao carismático  indiano Opash com o mesmo pique e a segurança de quem sabe o que faz - e, saliento, o faz com maestria inigualável) num personagem forçado e canastrão, cuja identidade se perdeu nos últimos capítulos; Irene Ravache cada vez mais sem graça e de doer os ouvidos ao "interpretar" a portuguesa, cujo sotaque não era português nem paraguaio (a gente vê a interpretação de um Osmar Prado, um dos ícones da dramaturgia, ou do próprio Tony Ramos, que arrasa nesse departamento, e chora de dó ao ver a dela...); Edson Celullari e Mariana ( Xi!) menes foram aquilo de sempre - expressivos como um chuchu caindo da cerca! -; em contrapartida, Glória Pires, que  não é das minhas favoritas, foi uma grata surpresa em meio a tantas caras, bocas e fajutices, assim como Gianechinni, que se saiu muito bem com o seu personagem ingênuo e caipirinha - dois que, aliás, deveriam ter ficado juntos, e não ele ficar com a patricinha medíocre e ela com o igualmente medíocre bebê-chorão-pai-da-donzela. E aquele lance de pôr a própria Mariana de "clone" da Juliana para ficar com o fotógrafo???? Ridículo até para Sílvio de Abreu!
Se a ideia é fazer um remake, então que se peguem os mesmos personagens mas que se mude completamente o enredo. Invente, tente, faça totalmente diferente! Saia dessa mesmice de personagens dublês no eterno "será que ele é?" e deixe de lado essa baboseira de dar final feliz até para quem não merece (vilão que não morre acaba casado e feliz, geralmente com alguém rico). A vida real não é assim: tem muita gente sozinha, por opção ou por falta dela. Não precisa encher os últimos capítulos com metros de véus e quilos de bebês para ser um bom fim de novela. Gente solteira e sem filhos também dá ibope, e faz e tem boas histórias. Histórias interessantes, contundentes, comoventes, que podem não ser a trama da novela das oito-que-começa-às-nove,  mas certamente serviriam de inspiração e entretenimento muito mais sadios e aproveitáveis do que toda essa lenga-lenga tão longamente conhecida ou os odiosos "reality shows" (que de reality, aliás, só têm o nome...).  Vamos ousar mais e copiar (bem) menos.
Acima de tudo, dê uma chance ao amor de uma mulher madura por um homem mais novo, já que o contrário é tão normal, aceitável e até esperado. Chega dessa demagogia podre de que o garotão só está de olho no baú da coroa; os opostos se atraem, sim, e não há nada de errado nisso. Uma mulher mais velha também tem seus atrativos, mesmo não tendo sido namorada do xeique de Agadir.
Que se ampliem os horizontes e que as (boas) ideias brotem! Basta de remakes babacas. Vamos dar asas à imaginação e criar novas temáticas, como Bang Bang e Que Rei Sou Eu?, deixando de lado essa obrigatoriedade dos eternos finais felizes e do politicamente correto. Não precisamos de Nazarés matando todo o elenco escada abaixo, mas, em pleno século 21, é mais que tempo de abordar outros assuntos, outras realidades, outros "Finais Felizes" bem diferentes. A vida real tá aí, cheinha de exemplos e contrastes interessantes. Quem tiver olhos de ver, verá...

                                                                                                              Pense nisso.
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