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quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Que País é Esse?"

Em tempos de Ano Novo Pessoal, uma nova roupagem para o blog.
E, falando em novidades, o que anda acontecendo com o nosso bom e velho Brasil, que já teve "z" na sua grafia nativa e perdeu  muito mais do que isso nos últimos 500 anos de sua sofrida existência, junto com o pau-brasil, a Mata Atlântica, a primazia no futebol...?
De repente, as pessoas resolveram tomar  ruas e praças, viadutos e rodovias manifestando sua indignação e exigindo tudo aquilo que consideram justo e devido a cada um. O direito de ir e vir, de cuidar da saúde, de ter sua moradia digna, de rejeitar o "tratamento que torna normais os desajustados" tornaram-se palavras de ordem, gritos de guerra de um povo que em grande parte descende, sim, de tribos guerreiras e que está simplesmente farto de "engolir sapos" por tantos séculos. A verdade, doa a quem doer, é que ninguém aguenta mais assistir de camarote a pantomima do poder, onde muda o elenco mas o enredo é sempre igual. 
É certo que existem (muitos!) excessos nas manifestações, de parte a parte. Se a população  perde as estribeiras, a polícia responde à altura, óbvio (afinal, eles são de carne e osso como qualquer dos manifestantes: choram, gritam, sangram e sentem dor, portanto que ninguém espere vê-los levar pedradas com um sorriso resignado  nos lábios - nem eles ganham para tal! -. Isso é para o Superman, o Batman, o Wolverine...). Nós sabemos que no meio do movimento legítimo, infelizmente, há muita gente de má fé infiltrada, gente que só quer badernar, roubar e desacreditar aqueles que estão tentando lutar por causas nobres. Agradando ou não, a polícia está apenas realizando o seu trabalho e, mais que isso, cumprindo com o seu dever. Não pode ser crucificada por tentar manter a lei e salvaguardar a própria integridade. Talvez fosse tempo das pessoas acharem outros meios de se manifestar, ficando um pouco em casa para que os criminosos não tenham mais como se acobertar, inclusive porque tanta coisa errada não vai mudar em poucos dias ou meses e, creio, ninguém planeja fazer de tais passeatas uma rotina in aeternum.
Mudando o foco, eu gostaria de saber em qual cabeça de bagre podre e retroativa terá se originado a galopante babaquice denominada "cura gay"! Desde quando homossexualidade é crime ou doença? Os pais deveriam querer a felicidade de seus filhos, a sua realização pessoal enquanto homens e mulheres, pouco importando a opção sexual de cada um. Eu já vi mais de um casal gay na maior curtição e não me ofendi nem me escandalizei um tiquinho que seja - aliás, no metrô, o clima era de "love" total, com direito a um beijo tão apaixonado que até eu queria... O mundo já tem neuróticos em profusão: precisamos urgentemente - de preferência pra ontem! - de pessoas felizes, alegres e de bem com a vida! 
Hetero, gay, lésbica, bi, trans, total flex, simpatizante, careta, conservador, radical, reacionário são todos termos criados para enaltecer ou aviltar as criaturas apenas e tão somente porque nós somos todos diferentes, graças a Deus! Sem exceções, clones ou réplicas (nem os gêmeos são idênticos, afinal, porque as digitais são exclusivas em cada ser), somos únicos e inimitáveis, pouco ou nada importando o estilo (ou a falta dele). Perfeição e previsibilidade em excesso são chatas, enfadonhas e completamente desnecessárias.
 Alguém disse, com muita propriedade, que "toda unanimidade é burra". Então por que será que as pessoas temem tanto as diferenças? Por que se sentem tão agredidas com a felicidade alheia? O que incomoda realmente: ver dois homens se amando ou ver dois homens felizes, aproveitando a vida antes que ela acabe? O amor é feio, né ?, não gera notícia.  O crime e a violência, infelizmente, dão muito mais ibope.
E a liberdade de expressão, a democracia, os direitos iguais, o "viva e deixe viver"? Foram pro lixo, pro éter ou estão nas leis e nas bocas apenas "para inglês ver"? Se for isso mesmo e as palavras não valem o papel onde estão escritas, então é melhor seguir o conselho do Raul Seixas e alugar o Brasil, ou melhor, a Terra. Imagine você, que acompanha essas "mal traçadas linhas" (masoquista, hein? Que crime hediondo você julga ter cometido para se impôr tamanho castigo, criatura de Deus???), como seriam quase 9 bilhões de criaturas fazendo as malas e tentando achar outro lugar pra continuar levando a  parca existência. Quantos "nãos" haveríamos de ouvir pelo Espaço afora...
Há anos,  Renato Russo já perguntava "que País é esse?". Em pleno século 21, ainda aguardamos a resposta. (Já que você leu até aqui)

#homofobiaNÃO                                                                                                         Pense nisso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sempre a Mesmice

Mais um fim de novela e a rotina continua: milhares de casamentos, casais improváveis que nem se esbarravam durante a trama, o "politicamente correto" empurrado goela abaixo e o eterno "happy end" insosso, gasto e surrado (cada vez mais, sem dó nem piedade!).  Se a primeira (a) versão de Guerra dos Sexos foi lastimável, a atual foi simplesmente deprimente. Tony Ramos (que eu considero um grande e excelente ator, digno de papéis marcantes, que vai do vendedor de frutas da barraca do Juca ao carismático  indiano Opash com o mesmo pique e a segurança de quem sabe o que faz - e, saliento, o faz com maestria inigualável) num personagem forçado e canastrão, cuja identidade se perdeu nos últimos capítulos; Irene Ravache cada vez mais sem graça e de doer os ouvidos ao "interpretar" a portuguesa, cujo sotaque não era português nem paraguaio (a gente vê a interpretação de um Osmar Prado, um dos ícones da dramaturgia, ou do próprio Tony Ramos, que arrasa nesse departamento, e chora de dó ao ver a dela...); Edson Celullari e Mariana ( Xi!) menes foram aquilo de sempre - expressivos como um chuchu caindo da cerca! -; em contrapartida, Glória Pires, que  não é das minhas favoritas, foi uma grata surpresa em meio a tantas caras, bocas e fajutices, assim como Gianechinni, que se saiu muito bem com o seu personagem ingênuo e caipirinha - dois que, aliás, deveriam ter ficado juntos, e não ele ficar com a patricinha medíocre e ela com o igualmente medíocre bebê-chorão-pai-da-donzela. E aquele lance de pôr a própria Mariana de "clone" da Juliana para ficar com o fotógrafo???? Ridículo até para Sílvio de Abreu!
Se a ideia é fazer um remake, então que se peguem os mesmos personagens mas que se mude completamente o enredo. Invente, tente, faça totalmente diferente! Saia dessa mesmice de personagens dublês no eterno "será que ele é?" e deixe de lado essa baboseira de dar final feliz até para quem não merece (vilão que não morre acaba casado e feliz, geralmente com alguém rico). A vida real não é assim: tem muita gente sozinha, por opção ou por falta dela. Não precisa encher os últimos capítulos com metros de véus e quilos de bebês para ser um bom fim de novela. Gente solteira e sem filhos também dá ibope, e faz e tem boas histórias. Histórias interessantes, contundentes, comoventes, que podem não ser a trama da novela das oito-que-começa-às-nove,  mas certamente serviriam de inspiração e entretenimento muito mais sadios e aproveitáveis do que toda essa lenga-lenga tão longamente conhecida ou os odiosos "reality shows" (que de reality, aliás, só têm o nome...).  Vamos ousar mais e copiar (bem) menos.
Acima de tudo, dê uma chance ao amor de uma mulher madura por um homem mais novo, já que o contrário é tão normal, aceitável e até esperado. Chega dessa demagogia podre de que o garotão só está de olho no baú da coroa; os opostos se atraem, sim, e não há nada de errado nisso. Uma mulher mais velha também tem seus atrativos, mesmo não tendo sido namorada do xeique de Agadir.
Que se ampliem os horizontes e que as (boas) ideias brotem! Basta de remakes babacas. Vamos dar asas à imaginação e criar novas temáticas, como Bang Bang e Que Rei Sou Eu?, deixando de lado essa obrigatoriedade dos eternos finais felizes e do politicamente correto. Não precisamos de Nazarés matando todo o elenco escada abaixo, mas, em pleno século 21, é mais que tempo de abordar outros assuntos, outras realidades, outros "Finais Felizes" bem diferentes. A vida real tá aí, cheinha de exemplos e contrastes interessantes. Quem tiver olhos de ver, verá...

                                                                                                              Pense nisso.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Lógica x Emoção

A partir do momento em que aprendemos a ver as coisas com o coração, elas adquirem um brilho e um significado diferentes, quase mágicos e irreais. Não devemos analisar o mundo à nossa volta apenas com a fria lógica da razão: devemos deixar transparecer nossas emoções, nossos sentimentos, porque pensar e racionalizar é preciso, mas é preciso também sentir  e se emocionar. Lembre-se: a  Fantasia é que torna a Realidade menos dura e, muitas vezes, o que nos parece Sonho pode se tornar Verdade!
                                                                                                                       Pense nisso.


(texto original criado em 30/07/86)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

E, de novo, o Carnaval.

De novo, as Folias de Momo: fantasias, micaretas, abadás e trios elétricos, camisinhas, AIDS, Ângela Bismarchi na sua "cruzada" pela virgindade (agora, lançando o "hímen artificial", para que os homens possam desfrutar da gloriosa sensação de "arrebentar" suas parceiras, mesmo que já tenham muita "milhagem") e... mulheres peladas. Ano após ano, as mulheres se sujeitam à degradação, à exposição desenfreada, ao "excesso da falta", onde vale mais quem aparece com cada vez menos... E pensar que o Carnaval, inicialmente, era uma festa de família, com  pessoas elegantemente trajadas desfilando em carros abertos pelas ruas ao som de músicas alegres. Em que momento exatamente saímos do "vou beijar-te agora/ não me leve a mal/hoje é Carnaval" para o "beijo na boca é coisa do passado/a moda agora é namorar pelado" eu não sei, mas que a coisa vai mal, vai, e faz tempo. Uma escola aqui de São Paulo tem um "Rei" de bateria, mas pergunta se o cidadão aparece nu, com as partes pudendas  minimamente resguardadas por um mero pedacinho de metal e a bunda de fora? Num mundo onde  ainda, infelizmente, há tantas situações  vexatórias para as mulheres, onde muitas valem menos que um camelo e os maridos têm total direito sobre suas vidas, podendo devolver as que não conseguem engravidar ou matar as pobres infelizes até por uma simples suspeita de adultério, é espantoso que as chamadas "mulheres livres" se prestem a papéis como estes, desfilando nuas apenas apenas porque alguém determinou que isso é carnaval. Onde ficam a lógica, o respeito e o amor próprio? Onde fica o orgulho de ser mulher e, sobretudo, de ser gente? Para ser linda e arrasar, seja na vida ou na passarela do samba, a mulher não precisa se rebaixar; Luíza Brunet desfilou lindamente trajada por anos e ela dispensa comentários, estando cada vez mais "top" a cada Carnaval, com charme e elegância ímpares. Se a intenção é mostrar as fantasias, por que vir sem elas? Depois, as mulheres reclamam quando são assediadas; quando são desvalorizadas,  ganhando menos que os homens mesmo em funções iguais; quando são tratadas como objetos (coisa ultrapassada? Não mesmo! Se assim fosse, não veríamos a infame propaganda de desodorante, onde o sujeito vive cercado de mulheres semi-nuas inúteis só porque está cheirosinho!); quando se fazem piadas de loira (eu nunca ouvi nenhuma de "loiro")... Já passou da hora de se reverem esses conceitos, da mulata Globeleza vir vestida nas vinhetas, do Carnaval ser desvinculado do sexo, das pessoas festejarem mais e extrapolarem (bem) menos. O que seria se alguém determinasse que o Revéillon é também momento de "soltar os bichos"? Imagine as pessoas transando na praia em lugar de pularem as sete ondinhas... Brincar é bom, festejar também e eu não tenho nada contra o sexo ou um belo corpo, mas bom senso cabe (e muito bem) em qualquer lugar e/ou momento.
                                                                                                        Pense nisso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Jardim

     Eu tive um sonho... Nele, eu me vi num lindo jardim... E nesse jardim, havia flores das mais belas, plantas como eu nunca encontrei e frutas das mais diversas...
     Então, apareceu um velhinho de longas barbas brancas: era o jardineiro, que cuidava de todo aquele imenso jardim...
     - Olá. - eu disse.
     - Olá. - ele respondeu, e continuou a trabalhar embora me olhasse com bondade e um sorriso meigo.
     - Esse jardim é seu? - perguntei, sentando na grama.
     - Não, minha menina, o jardim é seu.
     - Meu? - perguntei encantada. - Como pode ser meu se eu nunca estive aqui antes? Nem sei onde estou.
     - Sim, o jardim é seu; seu e de todas as pessoas desse Universo. Este é o Jardim da Criação, de onde todos nós saímos e para onde todos voltaremos, depois da nossa jornada pelos vários planetas existentes no espaço.
     Olhei extasiada: não podia acreditar no que via.
     - Mas, ainda há pouco, eu estava em meu quarto; como posso estar aqui senão em sonho?
     -Você estava sem esperanças, triste e desiludida. Foi-lhe permitido ver esse Jardim para que você não desista de lutar, para que você entenda que a vida é uma ilusão passageira e que não devemos nunca desistir da luta, nem nos amargurar por coisas tão pequenas na realidade. A Vida, no sentido real da palavra, é aqui, em meio às flores e plantas. Procure ver as coisas como elas são, e você encontrará esse Jardim dentro de si mesma, sempre.
     - Mas, e se eu quiser voltar a ver o senhor e esse lugar, é possível conseguir ou nunca mais nos veremos?
     - O Jardim está dentro de você e eu estou sempre ao seu lado, amparando-a e orientando-a. Depende de você prestar mais atenção em mim. - olhou-me nos olhos, sorrindo mais meigamente que até ali.
     Olhei para o velhinho e compreendi tudo:eu estava tendo uma oportunidade única na vida, que não acontece por acaso e não se repete tão fácil. Fixei o céu azul sem nuvens, satisfeita, sentindo-me leve e feliz.
     - Você entendeu, não é?
     Acenei a cabeça afirmativamente, sem dizer palavra alguma.
     - Então, acredite em tudo o que eu disse e naquilo que você acaba de entender e volte a lutar na sua jornada no planeta Terra, lembrando que, quando precisar, poderá retornar ao Jardim e que eu estarei sempre com você, nos momentos bons e ruins...
     - Mas... e se eu não for capaz de manter a confiança? - indaguei assustada.
     - Confiar em si mesmo é um grande passo na busca do equilíbrio e da paz.
     Levantei-me, beijei o velhinho e fui embora através do gramado, sentindo o perfume das flores e apreciando a beleza das frutas.
     Me vi envolvida num turbilhão de nuvens e, de repente, estava em meu quarto, acordando. Sentei-me na cama, sorrindo e agradecendo a oportunidade de ver uma coisa tão maravilhosa. Fechei os olhos e revi o velhinho sorrindo para mim e acenando bondosamente. As angústias, o medo, a desilusão da véspera já não passavam de lembranças. Uma nova esperança me enchia de coragem e vigor para continuar a minha jornada, e me dava a certeza de que eu triunfaria pois, num momento de dor e desespero,


                                                                                             "EU ESTIVE COM O CRIADOR..."
(texto original  criado em 27/05/1992).






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