Diz uma velha história que, ao passear por uma pequena floresta, um filósofo e seu discípulo se depararam com um sítio de aparência miserável, cujos donos - um casal e seus três filhos - viviam em situação de grande pobreza. Indagado sobre a forma de prover o sustento à sua família, o dono do lugar explicou que toda a renda conseguida vinha de uma vaquinha: uma parte do leite produzido diariamente era vendida ou trocada na cidade vizinha por outros tipos de alimentos, enquanto o restante era transformado em queijo, manteiga e etc., para consumo próprio. Agradecendo as informações, o filósofo se pôs novamente a caminho mas, antes de deixar a propriedade, ordenou ao seu discípulo que jogasse a vaquinha num precipício ali perto. Surpreso, o rapaz tentou argumentar que o animal era a única fonte de renda da pobre família; o filósofo nada retrucou e assim, sem escolha, o discípulo cumpriu a ordem. Durante dez anos, aquela cena o perseguiu implacavelmente, trazendo-lhe um remorso tão profundo que ele decidiu retornar ao sítio e contar tudo à família, oferecendo-lhes ajuda financeira, inclusive. Chegando ao local, constatou uma incrível mudança: a propriedade havia se transformado num pedaço do Paraíso, em nada lembrando o casebre miserável que ele conhecera. Aflito, o rapaz imaginou que, com a perda da vaquinha, a pobre família fora forçada a vender o sítio, e aquilo lhe doeu profundamente. Um pouco adiante, porém, encontrou o senhor que conhecera tempos atrás, sendo reconhecido e tratado com amabilidade. O ex-discípulo, então, quis saber como se operara tão extraordinária mudança na vida de todos ali, e o dono do sítio explicou que, com a morte da vaquinha, ele teve que plantar ervas e legumes para sustentar a família, cortar madeira para vender, plantar árvores para repôr as que foram derrubadas, cultivar algodão para vestir os filhos... Depois de um ano difícil, ele se viu exportando os produtos que plantara, a vida seguiu seu curso e o sitiante, finalmente, se deu conta de que possuía um enorme e, até ali, desconhecido potencial, descoberto graças à perda da vaquinha, que ele fazia questão de agradecer.
Você já parou para pensar que isso acontece todos os dias em nossas vidas? Apego, conformismo, "zona de conforto", medo do desconhecido.Os nomes são muitos, mas o resultado é um só: estagnação! Você não gosta do seu emprego e tem vontade de partir para um negócio próprio, mas tem receio de não conseguir e desiste antes mesmo de qualquer tentativa. Ou está num relacionamento sufocante, mas segue a velha máxima do "antes só do que mal acompanhado", por medo da solidão. Acha que se daria bem num curso de teatro, mas nem cogita em matricular-se porque parentes e amigos vão dizer que você está velho (a) demais para isso.
A vida é movimento e exige mudanças. Algumas grandes, outras sutis. Mudanças radicais, rompimentos totais, guinadas definitivas. Você não precisa pular de paraquedas nem mergulhar com tubarões, mas um corte de cabelo, em certos casos, pode ter um efeito semelhante m sua vida. Não tenha vergonha de tentar, de ousar, de sonhar. Viva, mude, experimente, porque o bonito da nossa passagem por aqui é justamente ser diferente.
E então? De qual "vaquinha" você está precisando se desfazer hoje?
Pense nisso.