Mais um fim de novela e a rotina continua: milhares de casamentos, casais improváveis que nem se esbarravam durante a trama, o "politicamente correto" empurrado goela abaixo e o eterno "happy end" insosso, gasto e surrado (cada vez mais, sem dó nem piedade!). Se a primeira (a) versão de Guerra dos Sexos foi lastimável, a atual foi simplesmente deprimente. Tony Ramos (que eu considero um grande e excelente ator, digno de papéis marcantes, que vai do vendedor de frutas da barraca do Juca ao carismático indiano Opash com o mesmo pique e a segurança de quem sabe o que faz - e, saliento, o faz com maestria inigualável) num personagem forçado e canastrão, cuja identidade se perdeu nos últimos capítulos; Irene Ravache cada vez mais sem graça e de doer os ouvidos ao "interpretar" a portuguesa, cujo sotaque não era português nem paraguaio (a gente vê a interpretação de um Osmar Prado, um dos ícones da dramaturgia, ou do próprio Tony Ramos, que arrasa nesse departamento, e chora de dó ao ver a dela...); Edson Celullari e Mariana ( Xi!) menes foram aquilo de sempre - expressivos como um chuchu caindo da cerca! -; em contrapartida, Glória Pires, que não é das minhas favoritas, foi uma grata surpresa em meio a tantas caras, bocas e fajutices, assim como Gianechinni, que se saiu muito bem com o seu personagem ingênuo e caipirinha - dois que, aliás, deveriam ter ficado juntos, e não ele ficar com a patricinha medíocre e ela com o igualmente medíocre bebê-chorão-pai-da-donzela. E aquele lance de pôr a própria Mariana de "clone" da Juliana para ficar com o fotógrafo???? Ridículo até para Sílvio de Abreu!
Se a ideia é fazer um remake, então que se peguem os mesmos personagens mas que se mude completamente o enredo. Invente, tente, faça totalmente diferente! Saia dessa mesmice de personagens dublês no eterno "será que ele é?" e deixe de lado essa baboseira de dar final feliz até para quem não merece (vilão que não morre acaba casado e feliz, geralmente com alguém rico). A vida real não é assim: tem muita gente sozinha, por opção ou por falta dela. Não precisa encher os últimos capítulos com metros de véus e quilos de bebês para ser um bom fim de novela. Gente solteira e sem filhos também dá ibope, e faz e tem boas histórias. Histórias interessantes, contundentes, comoventes, que podem não ser a trama da novela das oito-que-começa-às-nove, mas certamente serviriam de inspiração e entretenimento muito mais sadios e aproveitáveis do que toda essa lenga-lenga tão longamente conhecida ou os odiosos "reality shows" (que de reality, aliás, só têm o nome...). Vamos ousar mais e copiar (bem) menos.
Acima de tudo, dê uma chance ao amor de uma mulher madura por um homem mais novo, já que o contrário é tão normal, aceitável e até esperado. Chega dessa demagogia podre de que o garotão só está de olho no baú da coroa; os opostos se atraem, sim, e não há nada de errado nisso. Uma mulher mais velha também tem seus atrativos, mesmo não tendo sido namorada do xeique de Agadir.
Que se ampliem os horizontes e que as (boas) ideias brotem! Basta de remakes babacas. Vamos dar asas à imaginação e criar novas temáticas, como Bang Bang e Que Rei Sou Eu?, deixando de lado essa obrigatoriedade dos eternos finais felizes e do politicamente correto. Não precisamos de Nazarés matando todo o elenco escada abaixo, mas, em pleno século 21, é mais que tempo de abordar outros assuntos, outras realidades, outros "Finais Felizes" bem diferentes. A vida real tá aí, cheinha de exemplos e contrastes interessantes. Quem tiver olhos de ver, verá...
Pense nisso.